quinta-feira, 29 de março de 2012

O vulcão de Valongo

A Serra de Valongo é uma elevação situada num dos concelhos mais horrendos do país (tecnicamente empatado com Gondomar e Gaia). O que faz deste município um dos mais horripilantes do país, não é a sua paisagem ou morfologia, mas sim a sua fauna. Os nativos de Valongo são seres estranhos providos das mais peculiares características travincosas. Têm hábitos únicos que os diferenciam do comum dos travincas. São pouco desenvolvidos e frequentemente confundidos com o Homem-de-Neandertal. Em 1985, foi eleito primeiro ministro, um homem do povo, de fracas posses, de seu nome Cavaco Silva. Graças às ideias geniais deste senhor, Valongo teve direito a uma autoestrada a passar por lá. Isto permitiu que os indígenas se propagassem pelo país de forma rápida, enfrentando, sem medo, o seu maior obstáculo: a cordilheira de Valongo. Até então viviam lá isolados mas, com a rápida dispersão, conseguiram prosperar fora da sua terra Natal. Isto originou um cruzamento de espécies nada saudável. Toda a gente sabe que se um burro pinar com uma égua o resultado é uma mula. E a mula é um bicho cheio de força mas que também consegue juntar os defeitos do burro e da égua num só. Ora, o mesmo sucedeu com os descendentes de cruzamentos entre valongueiros e outras espécies de travincas. O resultado é uma imensidão de seres insipientes cujo maior atributo que têm é a grunhice. Todos os anos, esta grunhice manifesta-se sob a forma de lava na Serra de Valongo. Quando chega o Verão, há sempre uma coluna de fumo que só termina em meados de Setembro. Este ano, o vulcão de Valongo entrou em erupção mais cedo. Os grunhos daquelas bandas já o atearam… É o fenómeno atmosférico chamado “El Travinquiño”.Só espero que o nosso desgraçado, faminto e quase mendigo presidente não se lembre agora de construir um aeroporto por estas bandas, sob pena de se causar o caos no tráfego aéreo por causa de um vulcãozito…

domingo, 11 de março de 2012

Reserva Ornitológica do Mindelo

Ontem fui passear para a Reserva Ornitológica do Mindelo. Estava bom tempo e julguei que este seria um local perfeito para apreciar a bicharada. Cheguei a pensar até que poderia, com sorte, ver um ornitorrinco… Mas pelos vistos esta reserva é, supostamente, habitada por pássaros. E o ornitorrinco não voa… Na verdade, da bicharada que por lá vi, poucos eram pássaros! Aliás, vi mais paneleiros do que pássaros. Estavam tão à vontade (demasiado até…) deitados nas dunas que parecia que aquele fora, desde sempre, o seu habitat natural. Vós sabeis como sou um contra contra natura. Não por ideologia política mas simplesmente por repudia e desrespeito das leis que acredito serem supremas: as leis da natureza. E nestas leis, apesar de não estarem escritas, só há 3 tipos de seres vivos: masculinos, femininos e hermafroditas. Quanto aos masculinos e femininos não há duvidas. Mas em relação aos hermafroditas, a definição pode não ser do conhecimento geral. De facto, hermafrodita significa ser que se satisfaz a si próprio por auto fecundação. Não me parece que algum ser humano o consiga fazer mesmo com uma pila de metro e meio dobrável. Portanto, esta classe só é válida para alguns seres vivos nos quais não se inclui o ser humano. Assim sendo, não faz sentido a existência de paneleiragem no mundo. Seguindo este raciocínio, sempre baseado na boa conduta natura, o paneleiro nem sequer chega a ser uma mutação de Darwin. Não sendo este um ser vivo reconhecido pela mãe natureza (se calhar é órfão!), então aquele habitat não é, com certeza, o seu. Mas, assumindo a existência destas asquerosas criaturas, e partindo do principio que esta bicharada se apoderou daquele ecossistema, porque não se altera o nome da Reserva Ornitológica do Mindelo para a Reserva Paneleirógica do Mindelo? Afinal os paneleiros também não voam…

terça-feira, 6 de março de 2012

Estuário do Leça

Quando ouço falar em estuário desponta, imediatamente, na minha mente, uma imagem amarelada de por de sol de primavera de uma foz de um rio com água salobra, bancos de areia, algum sargaço perdido na baixa ondulação, um cheiro a “mar” durante a maré baixa, gaivotas estridentes a lutar por um bocado de massa de há 3 dias que alguém pôs num tamparuere (definição: uere com tampa) para alimentar gatinhos vadios, famintos e tinhosos (definição: gatos com tinha que só têm pelo à volta das orelhas), pescadores de domingo a tentar sacar umas tainhas e, como não poderia deixar de ser, um bando de aves esguias, de pernas compridas, fininhas e cor de laranja, com um bico de 3 metros de comprimento cheio de dentes e estáticas à espera que o sol acabe (há quem lhes chame cegonhas, flamingos, pelicanos e até garnisés). Tirando a parte do tamparuere, isto até parece um sítio agradável para gozar dos últimos raios de sol. E de facto até é! Pensem nos estuários do Tejo, do Sado, do Douro, do Guadiana, na Ria de Aveiro, etc. Todos eles têm algo em comum (para além do tamparuere de massa, claro). Mas alguns rios distinguem-se um pouco destes (deve ter sido causado por algum fenómeno que Darwin não explicou ou por alguma era glaciar da qual não reza a história). Falo, claro, dos nossos queridos rios Leça, Ave, entre outros. O rio Leça, em particular, tem um dos mais peculiares estuários de que há conhecimento em Portugal. Ali, a fauna e a flora abundam e formam até um micro-habitat que o caracteriza. Apesar de ser um estuário com uma área pequena, é de uma riqueza biológica, paisagista e arquitetónica que deveria ser considerado parque nacional e património da UNESCO. No outro dia passei por lá e parei 3 segundos para vislumbrar tal maravilha. Quanto à flora, o que mais se vê são quercus guindastis que é uma espécie de árvore com rodas e tromba rica em ferro. Mas o que mais me fascina ali é mesmo a fauna. Há de tudo: cianobactérias (não as vi mas sei que estão lá – sente-se o cheiro delas), mugil brasiliensis (vulgarmente conhecida como Tainha), rattus novergicus (o comum e tão afável rato de esgoto), rhynchophorus ferrugineus (escaravelho vermelho), etc. Mas os mais imponentes animais, da família das cobras ou das focas (por não terem patas), são os petroleiris barcassus e os contentoris pirogae. Estes seres têm uma incrível capacidade de camuflagem. Parecem polvos ou chocos com tinta! Conseguem fazer com que a água à sua volta mude de cor…

Quem diria que esta água já passou por aqui: